O MUSP exorta à luta na defesa do SNS!
O MUSP apela aos utentes para não se resignarem com mais estes violentos ataques à saúde dos portugueses. Convoca todos a manifestarem-se na defesa do Serviço Nacional de Saúde.
A morte de utentes por falta de assistência, os tempos de espera nos Hospitais e Centros de Saúde, a falta de médicos de família, os partos em ambulâncias com todos os riscos que isso comporta, o encerramento de especialidades nos Hospitais, não são fruto de um Serviço que não funciona, não são resultado do aumento de utentes. São o efeito de anos de desinvestimento e de uma política que parece apostada na degradação do SNS e na entrega da saúde dos portugueses ao negócio privados, onde a triagem é feita pelo cartão de crédito.
Era já uma evidência a transferência de verbas do Orçamento da Saúde para os privados, através da entrega de serviços que o SNS podia cumprir, e através do investimento em equipamentos nos hospitais públicos, para depois os entregar a privados ou às Misericórdias. Foi isto que aconteceu no Hospital de Vila Franca de Xira ou no Hospital de Braga.
A supressão de serviços e urgências resultam da falta de condições de trabalho dos profissionais do SNS, e é forma de os empurrar para o setor privado. Mas este governo vai mais longe face à falta de profissionais: Em vez de abrir concursos, limitou a capacidade de contratação de profissionais pelo SNS. Foi assim em 2025 ao estabelecer um limite de contratação, permitindo um crescimento máximo de 1,9% no quadro de pessoal, uma redução face a anos anteriores, visando travar o recrutamento de profissionais de saúde.
Já este ano, o governo agravou as condições dos profissionais de saúde e dos utentes. Concentrou urgências num hospital determinado, obrigando profissionais e utentes a irem de outros hospitais num raio de 60 quilómetros. Além da violação clara das condições contratuais alimentando a fuga de médicos e enfermeiros do SNS, recorre a práticas violadoras do contrato de trabalho, como a Federação Nacional dos Médicos denunciou.
Esta medida não resolve a situação dos utentes. Concentra os problemas. Afasta profissionais do local de trabalho violando a lei, e os utentes do local de residência, o que coloca ainda mais pressão no sistema de assistência e no serviço de transporte de doentes debilitados.
Recentemente, os utentes foram confrontados com o inimaginável nas Urgências Hospitalares: Os doentes transportados pelo INEM e pelos Bombeiros esperam nas macas das ambulâncias. Chegou-se ao extremo de ter sido colocado um doente oncológico em estado terminal no chão do Hospital.
Com as macas retidas no hospital, ficam retidas as ambulâncias dos Corpos de Bombeiros perdendo capacidade operacional, para responder a novas chamadas, deixando que outros utentes acabem por morrer por falta de assistência, como no Seixal.
Por tudo isto o MUSP exorta os utentes de todo o País a organizarem-se em torno das suas Comissões de Utentes e a criarem novas organizações onde estas não existam!
MUSP, Lisboa, 17 de janeiro de 2026
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