quinta-feira, 15 de outubro de 2026
OPINIÃO: Não há comboios privados, só privatização dos públicos
Não há comboios privados, só privatização dos públicos
esde logo, não é por acaso, porque a maior parte das notícias hoje publicadas resulta da acção de centrais de comunicação a, chamemos-lhe assim, influenciar a publicação de notícias. E não é por acaso porque esta é uma das necessidades ideológicas para vender a privatização das linhas lucrativas da CP e as privatizações em geral: esconder que a privatização só avança porque em 2029 haverá comboios novos, comboios da CP, pagos pelo Orçamento de Estado. É evidente que vai haver uma melhoria do serviço depois da entrada ao serviço dos comboios novos. Mas essa melhoria deve-se ao facto da CP ter comboios novos, não ao facto da linha ter sido privatizada.
Não há qualquer «comboio privado» a circular em Portugal1. A única concessão que funciona, a da Fertagus, opera com comboios públicos, comprados pela CP e depois transferidos para a Fertagus, com a propriedade a ser detida por uma empresa pública criada exclusivamente para esse efeito2. Curiosamente, os dois artigos citados ignoram olimpicamente essa realidade, chegando um deles a afirmar que «a ferrovia portuguesa vai começar a abrir espaço à gestão privada de algumas linhas» e «a Linha de Cascais será a primeira a avançar». Percebe-se, num momento em que a gestão da Fertagus se revela completamente incapaz de oferecer um serviço minimamente decente aos utentes, que os apologistas das privatizações a queiram esquecer.
«Percebe-se, num momento em que a gestão da Fertagus se revela completamente incapaz de oferecer um serviço minimamente decente aos utentes, que os apologistas das privatizações a queiram esquecer.»
Não há e não vai haver comboios privados. Os futuros comboios para a Linha de Cascais chegarão no pacote que a CP está a tentar comprar desde 2009, para o qual só teve autorização dos governos em 2019, e que só chegarão a partir de 20293. Serão pois comboios públicos a operar em Cascais, com ou sem privatização.
Mesmo na Alta Velocidade, os únicos comboios que estão a ser adquiridos para operar em Portugal é pela CP e pela RENFE, duas empresas públicas. O Grupo Barraqueiro, desde 2021, já conseguiu vários títulos de jornal com a «informação» que vai investir 300 milhões em comboios para a Alta Velocidade... mas não iniciou qualquer processo, como foi confirmado por Cabaço Martins na entrevista ao Jornal de Negócios de 23 de Setembro.
O momento da privatização é ainda influenciado por outro factor: estão em curso duas obras que afectam ainda mais a qualidade actual do serviço – a construção da Linha Circular do Metro de Lisboa e a modernização da Linha de Cascais – que só deverão estar concluídas em 2028. No momento em que estas obras terminem, o serviço também melhorará face àquele que temos hoje com as obras a decorrer.
Assim, depois de um investimento público de 77 milhões de euros na modernização da infra-estrutura e de mais de 210 milhões de investimento público em comboios novos, a oferta na Linha de Cascais vai melhorar. Com ou sem privatização. Se esse crédito é entregue à CP, desaparece a desculpa para privatizar. E perde-se a oportunidade de criar uma nova PPP, uma nova oportunidade de negócio, uma nova oportunidade de receber umas comissões, uma nova oportunidade de corrupção.
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
ABRANTES: muito património imobiliário em mau estado...
... por todo o concelho (especialmente nas zonas rurais) há muito património imobiliário degradado e abandonado.
FERROVIA: Em RIACHOS, os problemas estão nos detalhes...
terça-feira, 13 de outubro de 2026
13 outubro - Dia Mundial da TROMBOSE
Dia Mundial da Trombose: a importância de conhecer e prevenir
No dia 13 de outubro assinala-se o Dia Mundial da Trombose, uma iniciativa internacional que visa alertar para a relevância do Tromboembolismo Venoso (TEV).
Apesar de representar um problema de saúde pública de grande dimensão, continua a ser subdiagnosticado e, muitas vezes, negligenciado na sua prevenção.
A apresentação clínica pode variar desde formas assintomáticas até quadros graves, com risco de morte súbita. A inespecificidade dos sintomas, em particular na embolia pulmonar, contribui para o atraso diagnóstico.
O TEV resulta da interação de diversos elementos descritos na clássica “tríade de Virchow”: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Entre os fatores mais relevantes destacam-se:
- Cirurgia e traumatismos major.
- Internamento prolongado e imobilização.
- Cancro ativo e terapêutica oncológica.
- Gravidez e puerpério.
- Idade avançada, obesidade, tabagismo e sedentarismo.
- Trombofilias hereditárias ou adquiridas.
A coexistência de múltiplos fatores potencia significativamente o risco. Na sua maioria, os episódios de TEV podem ser evitados através de estratégias preventivas adequadas.
- Em meio hospitalar, a avaliação do risco trombótico deve ser sistemática, permitindo identificar doentes candidatos a profilaxia farmacológica (anticoagulantes em dose preventiva) ou mecânica (meias elásticas, dispositivos de compressão).
- A mobilização precoce e a hidratação adequada são medidas universais de baixo custo e elevada eficácia.
- Em ambulatório, a sensibilização para o estilo de vida ativo e a cessação tabágica são fundamentais.
O objetivo do tratamento é evitar a progressão do trombo, prevenir a recorrência e reduzir a mortalidade.
- A anticoagulação constitui a base da terapêutica, com escolha do fármaco e duração ajustados ao risco individual.
- Em casos selecionados, como EP de alto risco, podem ser necessários métodos de reperfusão (trombólise, embolectomia cirúrgica ou intervencionista).
Mesmo após a fase aguda, o TEV pode originar complicações de impacto significativo:
- Síndrome pós-trombótico, caracterizado por edema persistente, dor crónica e alterações cutâneas.
- Hipertensão pulmonar tromboembólica crónica, sequela rara, mas grave da embolia pulmonar.
O seguimento clínico regular é crucial para identificar precocemente estas situações e otimizar a terapêutica anticoagulante.
Lembramos que o TEV é uma condição frequente, potencialmente fatal e largamente prevenível. A consciencialização, a aplicação criteriosa de medidas de profilaxia e o reconhecimento precoce dos sinais de alerta são passos determinantes para reduzir a sua carga global.
No Dia Mundial da Trombose e no combate à trombose venosa, a informação e a prevenção são nossas maiores aliadas.
Dra. Inês Furtado – Núcleo de Estudos da Doença Vascular Pulmonar da SPMI / ULS Santo António no Porto
domingo, 11 de outubro de 2026
Sobre a apanha da azeitona... no Médio Tejo (e não só)
"DESILUSÃO", opinião de Guilherme Carreiro
DESILUSÃO
No discurso deste 5 de outubro, o Presidente da Republica António José Seguro apelou a consensos políticos, mas no meu ponto de vista, o que o nosso país precisa na realidade é de ruturas. Portugal precisa de romper com as politicas que empobrecem a sociedade, que desmantelam o Serviço Nacional de Saúde, que degradam a justiça e o ensino, que impulsionam a corrupção, que desprotegem os cidadãos de uma inflação galopante, que estimulam a crise da habitação, que originam a fuga dos portugueses do país, que desincentivam a natalidade, que aceleram as desigualdades sociais, que despovoam o interior, que desumanizam a sociedade portuguesa, que retiram direitos básicos aos cidadãos e enfraquecem a democracia. Pedir consensos políticos perante o atual estado de coisas, é o mesmo que pedir para dar continuidade às politicas que conduzem o país ao abismo. Perante um país que agoniza com problemas sociais gravíssimos, Seguro apresenta-se fraco e sem coragem de "pegar o boi pelos cornos". O Presidente da Republica não governa mas a sua principal função é “defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa” e neste momento muitos dos direitos básicos dos cidadãos consagrados na Constituição da Republica Portuguesa não estão a ser assegurados.
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
Maternidade ULSMT / ABRANTES: tem de ter funcionamento permanente!
UMA EXIGÊNCIA DA POPULAÇÃO DO MÉDIO TEJO!
População, autarquias e outras entidades devem estar alerta contra a perda de serviços de qualidade e proximidade...
Quem, há um ano, anunciou o possível encerramento da maternidade ainda não desmentiu a intenção de o fazer...
segunda-feira, 5 de outubro de 2026
domingo, 4 de outubro de 2026
O preço do vento AUMENTOU??!!
O preço da eletricidade aumentou 2,7%
Afinal... são só 526 milhões de euros!!!!
Pela PAZ!
Leão XIV veio recordar uma ideia aparentemente subversiva: os recursos que os Estados consagram à guerra, à destruição e à corrida aos armamentos poderiam também servir para hospitais, escolas, habitação, assistência social e combate à pobreza.
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
ÁRGEA/Torres Novas e MARÉS/Alenquer: Populações dizem "NÃO À LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADADES DE BIOMETANO"
ÁRGEA/Torres Novas e MARÉS/Alenquer:
Populações dizem "NÃO À LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADADES DE BIOMETANO"
Árgea/Torres Novas e Marés (Alenquer): duas populações, o mesmo promotor, a mesma resposta. Populações e movimentos de Torres Novas e de Alenquer reivindicam à APA, à CCDR-LVT e ao Governo que não autorizem centrais de biometano junto a habitações.
As Comissões de Utentes dos Serviços Públicos da Região do Médio Tejo, com sede em Torres Novas, e o Movimento de Cidadãos de Abrigada, Marés e Ota, de Alenquer, apresentam hoje uma posição comum. Reivindicam à Agência Portuguesa do Ambiente, à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo e ao Governo que não autorizem as duas unidades de produção de biometano que a mesma empresa, a Gás da Terra, projeta junto a zonas habitacionais: em Árgea, na União das Freguesias de Olaia e Paço, e nas Marés, na União das Freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres.
Os dois projetos repetem o mesmo modelo. Em Árgea, prevê-se o tratamento de cerca de 100 mil toneladas por ano de resíduos orgânicos e efluentes pecuários, a cerca de 200 metros de habitações. Nas Marés, estão previstas mais de 84 mil toneladas por ano de estrumes, chorumes e subprodutos animais, incluindo restos de matadouros, a cerca de 400 metros de habitações. Em ambos os casos, prevê-se a circulação de milhares de camiões por ano em estradas locais que não foram concebidas para esse fim.
Nos concelhos envolvidos, todas as instâncias autárquicas que se pronunciaram fizeram-no contra os projetos. Em Torres Novas, a Câmara Municipal enviou parecer desfavorável à autoridade de avaliação ambiental, e a Assembleia Municipal tomou uma posição unânime, reiterada na sessão de 30 de setembro de 2026. Também as assembleias e os executivos das juntas de freguesia subscreveram a oposição à localização da unidade.
A Câmara Municipal do Entroncamento e a Assembleia Municipal, bem como as duas juntas de freguesia, aprovaram por unanimidade documentos de «total e veemente oposição».
Em Alenquer, a Câmara Municipal emitiu parecer desfavorável em 26 de agosto. A Assembleia Municipal declarou, por unanimidade, em 24 de setembro, que o projeto não tem interesse municipal. As juntas de freguesia de Abrigada e Cabanas de Torres e de Ota pronunciaram-se no mesmo sentido, bem como a Assembleia de Freguesia de Abrigada e Cabanas de Torres.
A Quercus e outras associações ambientais, nomeadamente a ALAMBI e a ZERO, pronunciaram-se igualmente de forma desfavorável relativamente aos projetos.
As populações responderam da mesma forma. Somados os dois concelhos, registam-se já mais de 10 mil assinaturas contra estas localizações nos vários documentos colocados em subscrição, bem como mais de 2.000 participações desfavoráveis nas consultas públicas dos dois projetos.
Foram promovidas reuniões públicas nos concelhos afetados, uma vigília em Árgea, uma arruada no Entroncamento, a 18 de setembro, e uma concentração nas Marés, a 14 de setembro.
Elementos destes e de outros movimentos, bem como cidadãos em nome individual, tiveram intervenções decisivas neste processo, nomeadamente junto dos órgãos de soberania, da administração central e dos órgãos autárquicos. Apela-se à manutenção dos esforços de todos para a concretização deste objetivo.
A comunicação social tem sido fundamental na divulgação das razões que movem estes cidadãos.
Os representantes dos dois movimentos, reunidos em 1 de outubro, na sede da União das Freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres, representando a voz das populações dos concelhos do Médio Tejo e de Alenquer, afirmam:
«Não somos contra o biometano nem contra a transição energética. Somos contra estas localizações. Quando câmaras municipais, assembleias municipais, juntas e assembleias de freguesia, associações ambientais e milhares de cidadãos dos concelhos do Médio Tejo e de Alenquer dizem a mesma coisa, pedimos apenas que os órgãos de soberania e a administração central nos ouçam.»
Quando todas as autarquias, associações ambientais e milhares de moradores destes concelhos dizem o mesmo, a questão já não é saber se estas localizações são aceitáveis. A questão é saber quem, no Estado, está disposto a autorizá-las contra a vontade expressa das populações e dos seus representantes eleitos. O que está em causa não é apenas uma fábrica. Está em causa saber se a palavra de quem vive nestas zonas e dos autarcas democraticamente eleitos conta alguma coisa quando o investimento vem de fora.
Os dois movimentos pedem ainda aos órgãos de soberania e à administração central que fixem critérios nacionais para a localização de unidades de produção de biometano, incluindo distâncias mínimas a habitações e regras relativas aos odores, cumprindo assim o disposto no artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa quanto à proteção do ambiente e à qualidade de vida das populações.
O Plano de Ação para o Biometano, aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 41/2024, inclui um eixo dedicado à sustentabilidade social e ambiental. É nesse âmbito que estes critérios devem ser definidos.
Sem eles, cada zona habitacional terá de travar sozinha a mesma luta que Árgea e as Marés estão atualmente a travar.
SANTARÉM: Abaixo-assinado reclama requalificação da interdita Ponte da Panela



















