terça-feira, 5 de agosto de 2025

Reflexo da crise social e económica das famílias portuguesas...

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Ensino Superior: Há menos 10 960 candidatos em relação ao ano anterior


A horas de fecharem as candidaturas à 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior há já uma certeza: tão poucos candidatos só no período da troika. Face ao ano anterior, são menos 10 960 candidatos num contexto em que o Governo ameaça aumentar as propinas. 

São mais dados que podem significar um conjunto de dificuldades das famílias e que levam a questionar quem sai beneficiado com o noticiado crescimento da economia. Poucos dias depois dos bancos anunciarem os seus lucros recorde, assim como as empresas de retalho e distribuição, os dados de candidatos ao Ensino Superior confirmam que em contraste com o sucesso empresarial estão as dificuldades das famílias. 

A primeira fase de candidaturas só encerra hoje, mas sabe-se já que há menos 10 960 candidatos face ao ano anterior e é preciso recuar ao período da troika para ver registos semelhantes. Para já há 47 796 candidatos, em 2015, primeiro ano pós-troika, houve 48 556; mas em 2011 registaram-se 46 899; em 2012 registaram-se 45429; em 2013 registaram-se 40 785; e em 2014 registaram-se 42 703.

Quer isto dizer que os dados revelados hoje significam um retrocesso de uma década, algo que faz soar alarmes. Associado a este facto, há ainda um Governo que procura inverter a lógica criada desde 2015 com a redução da propina do 1.º ciclo de estudos. A verdade é que Fernando Alexandre, ministro da Educação, Ciência e Inovação, defendeu ainda este ano que acabar com as propinas «é regressivo». 

Diz o Governo que a prioridade passa pelo reforço da Acção Social Escolar, mas a construção de residências universitárias tem estado ausente da agenda. Associado a este factor, além das propinas, o que pode justificar a redução de candidatos ao Ensino Superior pode estar no drama da habitação. 

O preço médio dos quartos em Portugal está, pela primeira vez, acima dos 400 euros. De acordo com o último relatório do Alojamento Estudantil publicado no início deste mês, o preço médio por quarto é de 415 euros. Entre as principais cidades universitárias, Lisboa é a que apresenta rendas de quartos mais elevadas, com um preço médio de 500 euros. No distrito de Lisboa, as rendas podem mesmo chegar aos 714 euros. 

A seguir a Lisboa segue-se o Porto com um preço médio de 400 euros, Braga com 323 euros e só depois Coimbra, onde os quartos para estudantes custam em média 280 euros. Nos últimos 12 meses, a variação dos preços dos quartos foi de 4,6% em Lisboa, 4,1% no Porto, 1,1% em Braga e 4,4% em Coimbra. 

Sobre o mercado habitacional, o actual Governo tem como grande medida, não o congelamento das rendas, mas sim baixar o IVA sobre a construção para 6%. A verdade é que o poder de compra das famílias parece evidenciar que não será essa a medida necessária.

Os números de candidatos ao Ensino Superior parecem demonstrar que com propinas, falta de Acção Social Escolar e preços de quartos proibitivos, estão reunidas as condições para uma tempestade perfeita de elitização no acesso ao Ensino Superior. Quer isto dizer que só estudará quem pode.  


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