sábado, 10 de janeiro de 2026

Não podemos deixar destruir o SNS

 Pedro Chagas Freitas

 


Dizem-me que esta mulher que está deitada no chão de um Hospital em cima de uma manta que os próprios filhos tiveram de colocar é uma doente oncológica em fase terminal. Dizem-me que faz quimioterapia, vive com dores constantes, tem bolsa de urina e saco para as fezes. Dizem-me que não consegue andar sozinha nem permanecer sentada por muito tempo. Dizem-me que esteve assim no dia 8 de Janeiro porque não havia macas. Dizem-me que foi transportada pela família porque não havia ambulâncias disponíveis. Dizem-me que isto aconteceu em Portugal, nas nossas barbas, nos nossos olhos, na nossa falta de vergonha, na nossa animalidade gananciosa. Podia ser a minha mãe, a vossa mãe, o vosso filho, o vosso pai, o vosso melhor amigo. Podia ser um de nós. Dizem-me mais coisas destas todos os dias. Eu digo que querem assassinar o Serviço Nacional de Saúde. Há algumas semanas, avisei que ia ser assim: que ia tentar dar-se cabo de tudo para que cheguem os salvadores cheios de notas a tomar conta de tudo. A Saúde é um tesouro, a mina que falta ocupar, que falta transformar em euros. Quem paga é quem está lá. Quem dá a cara, o corpo, a sanidade, por isto. Esta gente gerar ódio pelos profissionais, pelo SNS, para que seja mais fácil vender, desbaratar. Eu amo os enfermeiros, os médicos, os Técnicos, os Assistentes, toda a gente que anda por ali, nos Hospitais, a lutar contra um sistema que quer que eles desistam, que eles digam que não dá mais, que temos de começar do zero, de privatizar, de entregar, de baixar os braços, de deixar ir. Não deixem. Não podemos deixar. Não desistam, por favor. Peço-vos por tudo. Aguentem-se, por favor. Por favor. Dou o que posso, como posso, por vocês. Continuem a dar tudo por nós. Por favor.



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