NOTA: Pois... isto, se Portugal tivesse uma Ministra da Saúde e um governo competentes e, se o seu objectivo final, não fosse o progressivo enfraquecimento do SNS
Para a resolução do problema das macas retidas nos serviços de urgência do SNS em Portugal
- A primeira solução passa pela regra básica de substituição imediata da maca do INEM por uma maca hospitalar no momento da admissão do doente. Essa prática existe em vários sistemas europeus e liberta de imediato o meio de emergência. Exige um stock mínimo de macas nas urgências e responsabilidade clara da administração hospitalar.
- A segunda solução envolve a criação de zonas de transição clínica dentro das urgências, com equipas dedicadas à observação curta. Muitos doentes permanecem horas à espera de decisão clínica simples. Esses espaços reduzem a ocupação física das áreas críticas e aceleram a libertação de meios.
- A terceira solução está na gestão ativa de camas em tempo real, a nível regional. Existem camas no sistema, embora mal distribuídas. Plataformas digitais com autoridade operacional permitem transferências rápidas, evitando que a urgência funcione como parque de estacionamento de doentes.
- A quarta solução é o reforço dos cuidados continuados e das respostas sociais de emergência. Uma parte relevante das macas retidas envolve doentes clínicos estabilizados, sem retaguarda social ou familiar. Resolver o problema fora do hospital tem impacto direto na urgência.
- A quinta solução passa por equipas hospitalares de descarga de ambulâncias, com tempo máximo definido para transferência do doente. Alguns sistemas fixam 15 a 20 minutos como limite operacional. Ultrapassado esse tempo, a prioridade passa a ser libertar o meio, com escalada automática de decisão.
- A sexta solução envolve liderança clínica com poder real. Quando ninguém decide, o sistema bloqueia. Serviços de urgência precisam de um responsável por turno com autoridade para redistribuir doentes, ativar camas e desbloquear circuitos.
- Por fim, existe uma solução estrutural, menos visível e mais decisiva. Retirar da urgência os problemas que pertencem aos cuidados primários, à medicina interna programada e à rede social. Enquanto a urgência continuar a absorver tudo, continuará a reter macas.
Espero ter ajudado.
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