sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Por mais e melhores serviços públicos (3) - COIMBRA

 MUSP Coimbra

O MUSP – Movimento de Utentes dos Serviços Públicos manifesta a sua profunda indignação e preocupação face ao sucedido com a doente oncológica recentemente divulgado, situação que expõe de forma clara e inaceitável as fragilidades persistentes do Serviço Nacional de Saúde e as consequências humanas de opções políticas que têm desvalorizado o direito constitucional à saúde.

De acordo com a publicação do filho que numa “carta aberta” alegou que a sua mãe, uma mulher com cancro em fase terminal, teria ficado deitada no chão das urgências do Hospital de Coimbra por falta de macas.
Ora, uma pessoa em situação de especial vulnerabilidade, a enfrentar uma doença grave não pode ser tratada como um número nem sujeita a atrasos, falhas de resposta, descoordenação de serviços ou ausência de acompanhamento adequado. O que aconteceu não é um caso isolado, mas antes o reflexo de um SNS pressionado pela falta de profissionais, pelo encerramento ou limitação de serviços, pela insuficiência de meios e pela progressiva transferência de responsabilidades para o setor privado, em prejuízo do interesse público.
O MUSP reafirma que o acesso atempado a cuidados de saúde de qualidade, em particular no tratamento oncológico, é um direito fundamental e não um privilégio dependente da sorte, da insistência dos doentes ou da sua capacidade financeira. Situações como esta são inaceitáveis num Estado que se diz social e democrático e exigem o apuramento de responsabilidades, bem como a adoção urgente de medidas corretivas.
Reivindicamos:
O reforço imediato do Serviço Nacional de Saúde, com investimento sério em recursos humanos, materiais e organizacionais;
A garantia de respostas rápidas, articuladas e humanizadas para todos os utentes;
O respeito pela dignidade dos utentes em todas as fases da doença, assegurando acompanhamento contínuo e comunicação clara;
A assunção de responsabilidades políticas sempre que falhas estruturais coloquem em causa a vida e o bem-estar das pessoas.
O MUSP expressa a sua total solidariedade para com a doente, a sua família e todos os utentes que diariamente enfrentam dificuldades no acesso aos cuidados de saúde. Continuaremos a denunciar situações injustas, a exigir soluções e a lutar por um Serviço Nacional de Saúde público, universal, gratuito e de qualidade, como consagrado na Constituição da República Portuguesa.
A saúde é um direito. Não pode falhar.

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