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Ferreira do Zêzere estima prejuízos acima dos 200 milhões de euros e ainda tem 25% da população sem luz
O presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere estima que os prejuízos provocados pela depressão Kristin e pelo mau tempo subsequente ultrapassem os 200 milhões de euros no concelho, no distrito de Santarém.
Em declarações à Lusa, Bruno Gomes afirmou que o valor poderá mesmo ser superior, sublinhando que “200 milhões de euros não será suficiente para compensar todos os estragos”.
Segundo o autarca, cerca de 85% das habitações do concelho apresentam danos, além de prejuízos significativos em empresas e em infraestruturas públicas como escolas, centros de saúde, cineteatro e centros culturais.
25% da população continua sem energia elétrica
Passados 17 dias desde a passagem da depressão Kristin, cerca de 25% da população — num universo de aproximadamente 8.000 habitantes — continua sem energia elétrica.
Nos primeiros dias após o temporal, a totalidade do concelho ficou sem fornecimento de eletricidade.
“Dezassete dias sem energia, sem televisão, sem frigorífico, sem arca leva a que as pessoas tenham um desespero emocional e mental muito grande”, afirmou Bruno Gomes, defendendo que o acesso à energia elétrica é uma condição essencial de habitabilidade digna.
O autarca manifestou ainda preocupação com o impacto psicológico da situação e apelou a maior reforço de meios no terreno.
Produção de ovos com perdas superiores a 100 milhões
Ferreira do Zêzere, conhecida como a “capital do ovo”, regista também prejuízos muito elevados na atividade económica.
O município estima que só na perda produtiva associada à produção de ovos os danos ultrapassem os 100 milhões de euros, além dos estragos estruturais em pavilhões agrícolas.
Infraestruturas públicas e vias afetadas
Os danos atingem igualmente escolas, equipamentos culturais e centros de saúde, com prejuízos avaliados em vários milhões de euros.
Muitas vias rodoviárias sofreram quedas de taludes, abatimentos e destruição de infraestruturas, agravando as dificuldades de mobilidade.
Até ao momento foram submetidas 157 candidaturas de apoio à reconstrução, num montante superior a um milhão de euros, mas o autarca admite que o valor global necessário poderá situar-se entre os 10 e os 15 milhões apenas no âmbito habitacional.
Críticas à resposta das operadoras
Bruno Gomes mostrou-se crítico em relação à resposta das operadoras, afirmando que a E-Redes e a Meo não estão a corresponder às expectativas da comunidade.
O autarca defende maior capacidade de resposta e reforço de equipas no território, considerando que o concelho tem vivido um sentimento de abandono.
Contexto nacional
As depressões Kristin, Leonardo e Marta provocaram 16 mortos em Portugal continental, além de centenas de feridos e desalojados.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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