DATA CENTERS NA NOSSA REGIÃO: UMA AMEAÇA QUE VAI MUITO ALÉM DE ABRANTES!
Em 2021, o Médio Tejo assistiu ao fim de uma era com o encerramento da Central Termoelétrica do Pego. Prometeu-se uma "Transição Justa" e novas alternativas sustentáveis para a região. No entanto, o futuro que está a desenhar-se deixa sérias dúvidas e ameaça não apenas Abrantes, mas todos os concelhos vizinhos!
Estão projetados dois megaprojetos de Centros de Dados (Data Centers): o EDC One (no Pego) e o complexo da Hyperion (em Alvega). Os investimentos anunciados são de milhares de milhões de euros, mas os perigos e impactos ecológicos vão passar a fronteira do concelho e afetar populações de Constância, Sardoal, Mação, Gavião e Chamusca.
A associação ambientalista Quercus e vários especialistas já acenderam o sinal de alerta devido aos graves riscos regionais cumulativos:
Eletricidade: Uma pressão cega sobre a rede regional: É uma ironia preocupante. A energia que a região deixou de produzir no Pego vai ser consumida de forma avassaladora por milhares de servidores digitais. Estima-se que o consumo combinado destes dois centros seja equivalente a quase 19 vezes mais eletricidade do que o consumo anual de TODO o concelho de Abrantes! A pressão sobre as linhas de alta tensão é tão extrema que os promotores já vieram pedir formalmente ao Governo um reforço urgente da capacidade de ligação à rede elétrica nacional — o que pode condicionar o fornecimento e a instalação de outras indústrias nos concelhos vizinhos.
Água: O colapso do Rio Tejo afeta todos por igual: Estes complexos exigem sistemas de refrigeração colossais que consomem milhões de litros de água. Numa altura em que os dados oficiais já alertam para um cenário severo de escassez hídrica na bacia do Tejo para os próximos anos, bombear água para "arrefecer computadores" coloca em risco o caudal do rio. Se o Tejo secar ou for sobreexplorado no Pego e em Alvega, o impacto na agricultura, no ecossistema e no abastecimento público será sentido de igual forma a jusante e a montante — afetando diretamente terras e populações vizinhas desde Mação e Gavião até Constância e Chamusca.

Impacto territorial e ruído sem fronteiras: Falamos de uma escala industrial gigante. Só o projeto de Alvega prevê cerca de 287.000 m² de área de construção. A destruição de solo rural, a impermeabilização do terreno e o ruído contínuo de baixa frequência gerado pelos potentes extratores de ventilação não escolhem limites administrativos. O impacto visual e a poluição sonora vão afetar o bem-estar e o descanso das comunidades rurais de toda esta zona ribeirinha.

Isenções milionárias vs. Pouco emprego local: A Câmara de Abrantes aprovou isenções fiscais de 16,2 milhões de euros para atrair estas empresas. O problema é regional: embora a fase de obras empregue trabalhadores, depois de abertos, os data centers funcionam de forma quase 100% automatizada. Criam pouquíssimos postos de trabalho permanentes para fixar jovens no Médio Tejo.
Substituir uma central a carvão por um poço sem fundo de consumo de recursos não é a transição verde que prometeram à nossa região. O Médio Tejo tem o direito de exigir total transparência! Exige-se uma avaliação de impacto cumulativa e a realização obrigatória de Estudos de Impacte Ambiental (EIA) rigorosos e independentes antes de avançar.
Qual é a vossa opinião? Um progresso real para a região ou um erro ambiental insustentável que vai prejudicar os nossos concelhos?
Por: Carlos Levezinho Libânio
Sem comentários:
Enviar um comentário