Trabalhadores do sector social por valorização e contra o pacote laboral
O encontro teve lugar no dia 25, no auditório do Instituto Português do Desporto e da Juventude, em Coimbra, sob o lema «Direitos laborais para trabalhadores essenciais», reunindo mais de uma centena de dirigentes, delegados e activistas sindicais, de diversas estruturas da CGTP-IN com intervenção no sector. Entre essas organizações, que integram uma comissão negociadora sindical (CNS), estão o CESP, a FESAHT, a FENPROF e o SEP.
Na resolução saída do encontro, assinala-se que os trabalhadores das instituições particulares de solidariedade social (IPSS) «desenvolvem um trabalho altamente qualificado e especializado» e «desempenham um papel social e educativo insubstituível».
Sucede que «todo este trabalho não tem sido devidamente valorizado pela CNIS [confederação patronal] e pelas direcções das instituições». «Pelo contrário», nos últimos anos «o leque salarial reduziu e as carreiras profissionais sofreram uma compactação enorme, colocando uma larga maioria dos trabalhadores do sector com salários a rondar o mínimo nacional».
Por isso, considera-se «urgente a revisão do contrato colectivo de trabalho (CCT), com valorização das carreiras profissionais».
No que respeita ao pacote laboral, apresentado pelo Governo, o encontro alertou que ele «representa um enorme retrocesso nos direitos dos trabalhadores», pois «contém propostas que visam a perpetuação e o agravamento dos baixos salários, intensificam a desregulação dos horários de trabalho, multiplicam os motivos e alargam os prazos para os vínculos precários, facilitam ainda mais os despedimentos e limitam os mecanismos de defesa e reintegração dos trabalhadores, procurando impor o despedimento sem justa causa».
Tais propostas, «com o apoio do CH e IL», «atacam ainda os direitos de maternidade e paternidade, promovem a caducidade (destruição) da contratação colectiva, põem em causa o princípio do tratamento mais favorável em mais matérias, atacam a liberdade sindical e o direito de greve».
A iniciativa do Governo «vai claramente contra aquilo que é necessário e justamente reivindicado pelos trabalhadores das IPSS».
Com estas premissas, os participantes no encontro reafirmaram «a rejeição
do pacote laboral e continuação da luta pela sua retirada».
Ficaram expressas na resolução as reivindicações perante a CNIS e as direcções das IPSS. Exige-se, designadamente: fixar em 1050 euros o salário mais baixo no sector; valorizar as carreiras e as profissões exercidas, procurando atingir rapidamente o leque salarial que o CCT previa em 2009; acabar com a discriminação na carreira dos educadores de infância em creche, em relação aos da educação pré-escolar; instituir a semana de 35 horas para todos, sem perda de retribuição; assegurar horários regulados, que permitam a conciliação da vida familiar com a vida profissional.
A CNS ficou mandatada para «aprovar as formas de luta necessárias a cada momento,
com vista ao alcance destas justas reivindicações», assim como «para travar o pacote laboral».
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