Hoje a ULSAR (Unidade Local de Saúde Arco Ribeirinho) está em festa, comemora o seu segundo aniversário.
Em tempos houve, sempre que havia alguma comemoração a Administração do Centro Hospitalar Barreiro Montijo convidava as comissões de utentes, como parceiros, como organizações que defendem os utentes e os profissionais de saúde, valorizava o seu trabalho, partilhámos opiniões.
Mudaram o tipo de organização e mudou também o interesse pelas comissões de Utentes, que é nenhum!
Deixaram de nos receber, deixaram de nos convidar para o quer que fosse, deixaram de nos ouvir.
Sentimos a brutal degradação do SNS, sem precedentes, a desvalorização dos profissionais de saúde, uma concentração de serviços, desmantelando serviços essenciais.
Só no concelho do Barreiro, mais de 19 mil utentes encontram-se atualmente sem médico de família.
A situação agrava-se com o encerramento de serviços essenciais: o Serviço de Cardiologia encerrou em fevereiro de 2024 e a Maternidade do Barreiro tem enfrentado fechos prolongados, obrigando grávidas a dar à luz em ambulâncias, em viaturas e até na via pública. Passaram muitos dias sem que esta urgência estivesse aberta e sem que bebés pudessem nascer no Barreiro.
Somam-se a estes episódios os constantes encerramentos pontuais noutros serviços do Hospital do Barreiro, reflexo de uma degradação progressiva que esgota os profissionais, empurra muitos para a exaustão e força outros a abandonar o SNS em busca de melhores condições de trabalho.
O que se verifica é que os territórios onde o SNS enfrenta maiores dificuldades de funcionamento — marcadas pela falta de médicos, escalas incompletas, encerramento ou limitação de serviços e sobrecarga dos profissionais — coincidem com aqueles onde o setor privado da saúde tem vindo a anunciar investimentos de grande dimensão, sobretudo na abertura de novas unidades como no Barreiro, já duas clínicas da CUF e um hospital na calha.
Hoje é o segundo aniversário da ULSAR, perante o cenário cada vez mais angustiante para quem se dirige ao Hospital do Barreiro, os utentes que não têm médico de família, e ao que se sabe é que a USF de Santo António ficou sem um médico, onde vão atendidos estes mais de 1500 utentes? Onde o acesso aos cuidados de saúde primários e de proximidade estão muito aquém, perguntamos afinal que se comemora?
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