domingo, 24 de julho de 2011

Contra as portagens na A23, a luta continua!

Protesto poderá chegar à desobediência civil

A União dos Sindicatos de Castelo Branco (CGTP) admite a hipótese de apelar à desobediência civil caso o Governo persista na introdução de portagens na A23 (Beira do Interior) ao mesmo tempo que o Turismo da Serra da Estrela alerta para as consequências económicas negativas que a medida terá no sector.


Protesto poderá chegar à desobediência civil

O coordenador da União dos Sindicatos de Castelo Branco, Luís Garra, participava numa “marcha de protesto e proposta” promovida pela CGTP na Covilhã, Fundão e Castelo Branco. A estrutura sindical declarou aberta “a época oficial de caça ao Coelho”. Trata-se obviamente da luta que a CGTP prometeu levar às ruas de Portugal para protestar contra as medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo primeiro-ministro.

É uma "figura de estilo, que tem um objetivo: dizer que da nossa parte o governo não vai ter tréguas, connosco não há estado de graça", explica Luís Garra.

A introdução de portagens nas SCUT e aqui em particular na A23 é para a central sindical “uma medida grave e dramática para a economia regional, para o emprego e a estabilidade social”, segundo Luís Garra.

A estrutura sindical promete lutar contra essa introdução de portagens, e admite que, caso todas as outras iniciativas que prevê tomar falhem ou não conduzam a um resultado aceitável, “"não fica fora dos horizontes da União de Sindicatos, se a medida avançar, um apelo muito forte a desobediência civil, porque as medidas imorais e ilegítimas só podem ser combatidas com atitudes muito fortes e corajosas", afirma o dirigente sindical.

Caso essa medida, vista como último recurso a utilizar depois de todos os outros falharem, tenha de ser implementada, os trabalhadores e restantes utilizadores dessa importante via viária seriam convidados "para não pagar, pura e simplesmente não pagar".

Iniciativa a tomar dentro em breve é a entrega no Parlamento a todos os partidos com assento parlamentar de uma proposta que garante, caso seja aprovada em sede legislativa, que a autoestrada da Beira Interior continuará gratuita.


Medida poderá lesar o turismo da Serra da Estrela

Também hoje, sexta-feira, o Turismo da Serra da estrela veio a público defender a gratuidade da A23. A estrutura divulgou uma carta que enviou ao primeiro-ministro, em que se chama a atenção do Executivo para o facto de a introdução de possíveis portagens poderem pôr em causa 111,5 milhões de euros em investimentos que estão a decorrer no sector e na região.

O território "que dista cerca de 300 quilómetros de Lisboa e mais de 200 do Porto, que equacionou investimentos sem o peso de custos das portagens e cuja alternativa praticamente não existe, pode ver afetada a competitividade entretanto ganha", teme o líder do turismo da Serra da Estrela.

Jorge Patrão apela por isso a que "sejam bem equacionadas as consequências da colocação de portagens na A23 (Beira Interior) e na A25 (Beiras Litoral e Alta)”, pois estando "ciente da grave situação financeira nacional" acredita que "a tarefa enorme que o Governo tem pela frente não deve apagar as políticas de valorização do território que implicam por vezes essa discriminação positiva".

Com introdução prevista para o passado dia 15 de abril, e suspensa pelo anterior executivo que esperava um parecer sobre a constitucionalidade da medida por um governo em gestão, a introdução das portagens está prevista para o mês de setembro, aguardando-se "a publicação em Diário da República dos preços a praticar".

SCUT sairão "mais caras" ao país com as portagens

O porta-voz da Comissão de Utentes Contra as Portagens nas autoestradas A25, A24 e A23 defendeu, esta quinta-feira, que a cobrança de tarifas naquelas vias "sairá mais cara ao país" do que se continuar sem custos para o utilizador.

Em declarações à agência Lusa, Francisco Almeida alegou que a introdução de portagens na A25, A24 e A23 "vai provocar o abrandamento da actividade económica e levar ao consequente encerramento de algumas empresas".

Com isto, "o Estado vai arrecadar menos impostos e muita gente vai ser empurrada para o desemprego, aumentando assim a despesa na segurança social", alegou.

O porta-voz da Comissão de Utentes garante que não pretendem "ficar na fila a dormir", preparando "uma série de iniciativas" para o período de verão.

"Vamos esclarecer a população dos distritos de Viseu, Guarda, Castelo Branco e Vila Real, distribuindo um comunicado em diversas iniciativas que ocorram, assim como pretendemos reunir com entidades que se tenham pronunciado contra as portagens", explicou.

Francisco Almeida informou que vai ser solicitada, com carácter de urgência, uma reunião à Comissão Parlamentar onde se encontra a petição que foi entregue, em Março, na Assembleia da República, com 35.702 assinaturas.

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